Sento-me na berma do passeio, depois de caminhar um pouco no silêncio da noite triste e adormecida. Estou num daqueles momentos em que pensamos em tudo ao mesmo tempo. Parece que peguei num leque infinito de "se's" e o estendi pela rua. Já o perdi de vista e ainda não vou a meio sequer.
Vou avançando no leque que é agora uma longa e infinita passadeira, ao que se vê. Não consigo tirar daqui os pés, avanço, recuo, avanço mais um bocado. Olho para trás, hesitante, mas continuo a avançar. Afinal, ainda há muitos "se's" pela frente.
Vozes, gritos e murmúrios. Rostos. Pedaços de histórias, de momentos. Dias e noites. Memórias e possibilidades.
Sigo por todas elas, fico tonta a cada passo, agora de corrida, cada passo como um salto, por entre flashes de cores psicadélicas. Os olhos fazem um esforço para não se fecharem ao choque, o ar falha, o leque nunca mais acaba...
...
...
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Obrigo-me a parar. Pára! Fecho os olhos, finalmente. Sinto-me segura, acalmo-me, ouço-me respirar, sinto-me histérica. Não há nada à minha volta agora. Nada de estradas longas e leques. Nada de vozes que me perseguem, ou sequer luzes do psicadélico. Começo a sentir-me confortável.
Afinal abri os olhos, afinal acordei.
O leque guardei-o no bolso. Os "se's" devem ser guardados assim, abafados pelas certezas de actos e palavras. Certo?
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