quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Welcome to Fall.

O tempo frio já se fazia notar. Apertou mais um pouco as golas do casaco contra o pescoço, quando o vento fez o seu cabelo esvoaçar por todos os lados. Procurou a chave com a outra mão, naquela carteira cheia de tralha. Não voltas a sair de casa sem limpar e organizar esta carteira Leonor, pensou para si mesma, encontrando finalmente a chave.
Abriu a porta e entrou. A sua gatinha esperava-a, mesmo na entrada, miando e roçando-se nas pernas de Leonor, que pegou nela, com o braço livre da carteira. Passou na casa-de-banho, ligando o pequeno ventilador, e dirigiu-se para o quarto, pousando a gata em cima da cama, a carteira, o casaco e as botas.
Voltou para a casa de banho, despiu-se, rapidamente, e entrou na banheira. O primeiro jacto de água quente fê-la arrepiar-se de alívio. Um fluxo de calor começava a inunda-la de prazer, e os pés, antes gelados, começavam finalmente a aquecer. Tomou o, que poderá ter sido, mais longo banho de sempre.
Quando acabou, quase como que acordando de um estado de transe, tentou ver-se ao espelho, inutilmente, já que este estava completamente embaciado.
Apreciou o seu reflexo desfocado. Chorou.

É impossível ter a certeza do que quer que seja, planear seja o que for. Há sempre algo que muda, ou algo que nos faz (querer) mudar. E depois, as escolhas que fazemos (ou que nos são permitidas fazer) são a vírgula, o parágrafo ou até mesmo o virar da página, no livro da nossa vida.
A questão é, consegues viver com isso?

Leonor passou a mão no espelho, para se conseguir ver melhor. Sorriu.

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