sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O passado é a base do nosso futuro, não?

Ela corria. Já há mais de uma hora, por sinal. Não sabia ao certo que horas eram, mas sabia que era tarde. E que estava frio também, apesar de ter deixado de o sentir após a primeira meia hora de corrida.
Há mais de uma hora tinha chegado a casa desfeita. Entrou no quarto, procurou debaixo da cama aquelas nike que comprara há um mês nos saldos, trocou de roupa, sem saber bem como e calçou-as. Pôs o carapuço na cabeça e antes de sair, hesitou em frente ao espelho do hall.
Estava com um péssimo aspecto, agora aquela maquilhagem resistente à água mas custo um salário dos teus parecia-lhe bastante inteligente.
Não é que isso interessasse agora. Não é que interessasse de todo.
Puxou mais o carapuço, tapando quase a testa por completo, limpou os olhos com a manga do casaco preto, respirou fundo e saiu.
Agora já estava a correr há mais de uma hora, e não se sentia melhor. A diferença é que ali nada importava além de continuar a correr.
Se Leonor não fosse tão complicada talvez não estivesse agora prestes a desfalecer de cansaço, com frio, tensão baixa de certeza... Mas há muita coisa que continua a não estar bem.
Parou, apoiando uma mão no bebedouro à sua esquerda, curvando-se e vomitando.
Molhou a cara com a água fria. Sentou-se no banco de madeira, outrora vermelho, daquele parque, outrora belo.
Há coisas que não mudam. Mas que se podem adaptar.
Leonor não podia mudar, nem as coisas que fez podiam ser, de forma alguma, alteradas.
Alguém, algum dia compreenderá isso?

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