quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A tua mão na minha.
Não vi, nem sei quem és.
Quem és, desconhecido, com essa estranha melodia que te acompanha?
Sinto o ar vibrar, quando te aproximas.
Continuo sem ver, deixa-me ver!
Estás a pegar-me na mão, ou é seda que me envolve?
E o chão, que se passa com ele que não o sinto?
Deixa-me ver-te, deixa-me apertar a tua mão com força.
Não! Não me largues já, eu prometo que não insisto, só não me deixes cair...
Que estranha segurança é esta que me transmites?
Agora pára, deixa-me decorar este momento.
Um dia, quando me deixares ver-te (ou me deixar ver-te), vou apertar-te a mão com esta intensidade. Vou estar ofegante, como estou agora, e com a nuca arrepiada. Vou lembrar-me, ao toque da tua mão, deste mesmo toque e de todas estas cores, de todos estes sons, de todos estes cheiros.
Agora podes largar-me, é hora de acordar.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O passado é a base do nosso futuro, não?
Ela corria. Já há mais de uma hora, por sinal. Não sabia ao certo que horas eram, mas sabia que era tarde. E que estava frio também, apesar de ter deixado de o sentir após a primeira meia hora de corrida.
Há mais de uma hora tinha chegado a casa desfeita. Entrou no quarto, procurou debaixo da cama aquelas nike que comprara há um mês nos saldos, trocou de roupa, sem saber bem como e calçou-as. Pôs o carapuço na cabeça e antes de sair, hesitou em frente ao espelho do hall.
Estava com um péssimo aspecto, agora aquela maquilhagem resistente à água mas custo um salário dos teus parecia-lhe bastante inteligente.
Não é que isso interessasse agora. Não é que interessasse de todo.
Puxou mais o carapuço, tapando quase a testa por completo, limpou os olhos com a manga do casaco preto, respirou fundo e saiu.
Agora já estava a correr há mais de uma hora, e não se sentia melhor. A diferença é que ali nada importava além de continuar a correr.
Se Leonor não fosse tão complicada talvez não estivesse agora prestes a desfalecer de cansaço, com frio, tensão baixa de certeza... Mas há muita coisa que continua a não estar bem.
Parou, apoiando uma mão no bebedouro à sua esquerda, curvando-se e vomitando.
Molhou a cara com a água fria. Sentou-se no banco de madeira, outrora vermelho, daquele parque, outrora belo.
Há coisas que não mudam. Mas que se podem adaptar.
Leonor não podia mudar, nem as coisas que fez podiam ser, de forma alguma, alteradas.
Alguém, algum dia compreenderá isso?
Há mais de uma hora tinha chegado a casa desfeita. Entrou no quarto, procurou debaixo da cama aquelas nike que comprara há um mês nos saldos, trocou de roupa, sem saber bem como e calçou-as. Pôs o carapuço na cabeça e antes de sair, hesitou em frente ao espelho do hall.
Estava com um péssimo aspecto, agora aquela maquilhagem resistente à água mas custo um salário dos teus parecia-lhe bastante inteligente.
Não é que isso interessasse agora. Não é que interessasse de todo.
Puxou mais o carapuço, tapando quase a testa por completo, limpou os olhos com a manga do casaco preto, respirou fundo e saiu.
Agora já estava a correr há mais de uma hora, e não se sentia melhor. A diferença é que ali nada importava além de continuar a correr.
Se Leonor não fosse tão complicada talvez não estivesse agora prestes a desfalecer de cansaço, com frio, tensão baixa de certeza... Mas há muita coisa que continua a não estar bem.
Parou, apoiando uma mão no bebedouro à sua esquerda, curvando-se e vomitando.
Molhou a cara com a água fria. Sentou-se no banco de madeira, outrora vermelho, daquele parque, outrora belo.
Há coisas que não mudam. Mas que se podem adaptar.
Leonor não podia mudar, nem as coisas que fez podiam ser, de forma alguma, alteradas.
Alguém, algum dia compreenderá isso?
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Hoje não quero falar contigo.
Hoje não quero falar contigo.
Não te atendo o telemóvel e escusas de tentar vir cá ter a casa. Finjo que não estou.
Hoje posso até destruir tudo o que esteja à vista e roer as unhas da mão esquerda enquanto seguro o telemóvel que vibra na direita, quando me voltas a ligar mas não vou ouvir a tua voz. Não. Não o vou fazer porque não o suportaria.
A minha vontade é correr para ti, e não dizer-te que não! Abraçar-te enquanto me levantas facilmente do chão e me apertas contra o teu peito. Como o farias. Depois irias pousar-me, não me largando ainda, cingindo-me pela cintura. Olharíamos loucos um para o outro, no momento em que as nossas bocas se buscavam, ofegantes, unindo-se finalmente, num beijo tão duro que nada se parece com os que estamos habituados a ver nos filmes românticos de domingo à tarde. Seria um beijo, como nós, louco. Seria bruto, extasiante, desenvergonhado. Ordinário. E acabava.
Nesse momento já não me abraçando. Olhavas-me numa urgência, olhos ávidos de desejo e eu compreenderia de imediato o que se passaria a seguir. Sem espaço ou tempo para pensar, já estaria no novo nos teus braços, nas tuas mãos. Sem saber como, já estaria encostada à parede, enquanto me despias o essencial. Os meus dedos entrelaçavam-se no teu cabelo curto, e apertavam-no com força, puxando-te assim para mim.
Seria uma, duas, três vezes. Teríamos a noite por nossa conta. E o dia. Porque ambos quereríamos sempre mais, e mais. E depois acabava.
Hoje não quero falar contigo. Não quero, não posso, não consigo falar contigo. Não consigo porque teria de dizer-te que não.
Hoje não te adianta sequer mandar sms's, porque vou fazer o que fiz às outras: abrir, ler, fechar e pousar de novo o telemóvel em cima daquela mesinha onde tenho o espelho redondo e umas quantas velas, sabes? As de baunilha...
Hoje não vou falar contigo para não ter de dizer-te que não te posso ver. Não quero, não posso, não consigo ter de o dizer outra vez.
Hoje não vou falar contigo para não ter de dizer-te que não te posso ver. Não quero, não posso, não consigo ter de o dizer outra vez.
Hoje posso até destruir tudo o que esteja à vista e roer as unhas da mão esquerda enquanto seguro o telemóvel que vibra na direita, quando me voltas a ligar mas não vou ouvir a tua voz. Não. Não o vou fazer porque não o suportaria.
A minha vontade é correr para ti, e não dizer-te que não! Abraçar-te enquanto me levantas facilmente do chão e me apertas contra o teu peito. Como o farias. Depois irias pousar-me, não me largando ainda, cingindo-me pela cintura. Olharíamos loucos um para o outro, no momento em que as nossas bocas se buscavam, ofegantes, unindo-se finalmente, num beijo tão duro que nada se parece com os que estamos habituados a ver nos filmes românticos de domingo à tarde. Seria um beijo, como nós, louco. Seria bruto, extasiante, desenvergonhado. Ordinário. E acabava.
Nesse momento já não me abraçando. Olhavas-me numa urgência, olhos ávidos de desejo e eu compreenderia de imediato o que se passaria a seguir. Sem espaço ou tempo para pensar, já estaria no novo nos teus braços, nas tuas mãos. Sem saber como, já estaria encostada à parede, enquanto me despias o essencial. Os meus dedos entrelaçavam-se no teu cabelo curto, e apertavam-no com força, puxando-te assim para mim.
Seria uma, duas, três vezes. Teríamos a noite por nossa conta. E o dia. Porque ambos quereríamos sempre mais, e mais. E depois acabava.
Hoje não quero falar contigo. Não quero, não posso, não consigo falar contigo. Não consigo porque teria de dizer-te que não.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Percebes? Bem-vindo então, enlouqueceste.
Pudesse eu não saber de que ferro é feito o amor.
De que veneno é feita a loucura.
Pudesse eu não ter medo de ser e de sermos.
De correr descalça por entre os espinhos da memória.
Pudesse eu dar-te a mão, sentirias o pulsar do meu coração?
Verias o mundo como eu o vejo, ao contrário, onde felizes são aqueles que não pensam, e que se entregam à loucura de olhos fechados, como eu?
Quando os abrem é Verão. É noite de Verão.
Fecha os olhos e deixa-te cair. Por favor. Fizeste o que te pedi? É noite de Verão e o mundo está bem ao contrário? Então já percebes o que quero dizer.
Pudesse eu não saber de que ferro é feito o amor,
e de que veneno é feita a loucura.
Ou não?
De que veneno é feita a loucura.
Pudesse eu não ter medo de ser e de sermos.
De correr descalça por entre os espinhos da memória.
Pudesse eu dar-te a mão, sentirias o pulsar do meu coração?
Verias o mundo como eu o vejo, ao contrário, onde felizes são aqueles que não pensam, e que se entregam à loucura de olhos fechados, como eu?
Quando os abrem é Verão. É noite de Verão.
Fecha os olhos e deixa-te cair. Por favor. Fizeste o que te pedi? É noite de Verão e o mundo está bem ao contrário? Então já percebes o que quero dizer.
Pudesse eu não saber de que ferro é feito o amor,
e de que veneno é feita a loucura.
Ou não?
domingo, 16 de agosto de 2009
Um dia não mais adormeço Leonor
A Leonor hoje confrontou-me. E um confronto nada ele amigável. Deixou-me estendida no chão de pedra frio, num sítio onde nunca tinha estado (como lá fui parar então?). Nem eu pensei que ela fosse tão forte, e afinal, não foram precisas assim tantas palavras para me derrubar. Palavras como facas a arder, a entrar e a sair no meu corpo. Facas para me lembrar do verdadeiro sentido da vida. Facas e palavras das que ferem só porque foram merecidas, daquelas verdades más de ouvir, apetrechadas com baldes de água fria. E tudo isso para nos acordar.
Há quem tenha um grilinho de smoking e cartola, há ainda pessoas normais, com aquilo a que normalmente chamamos de consciência... e eu? Eu tenho uma Leonor.
E agora volto a adormecer.
Há quem tenha um grilinho de smoking e cartola, há ainda pessoas normais, com aquilo a que normalmente chamamos de consciência... e eu? Eu tenho uma Leonor.
E agora volto a adormecer.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
sorry seems to be the hardest word(?)
O perdão é uma palavra algo curiosa. É uma daquelas palavras fortes e intensas, que emanam um poder invejável de abalar as pessoas. E o mais curioso é que este poder não implica acção, pode dar-se na sua excepção. Ora bem, todos cometemos erros (uns mais frequentemente que outros), todos já sofremos com os erros dos outros, e como tal, já todos tivemos de pedir desculpa e já todos recebemos um pedido igual. Todos compreendem portanto, como é difícil quando nos magoam e esperamos, ansiosos, pelo tal pedido, que apesar de não passar de uma mera palavra, vai tornar tudo melhor, algumas vezes até repor por completo o que se estragou. Assim como todos compreendem o quão doloroso é, por vezes, ter de dizer essa palavra. Carrega-la connosco, saber que se calhar aquela era uma boa altura para a dizer, ou não, esperar pela próxima... E ficar assim, sem sequer ter a certeza de que a palavra deve ser usada, isto porque, ás vezes, há coisas que devem permanecer estragadas e não serem recuperadas.
Isto tem um pouco que ver com os arrependimentos.
Lembram-se do buraco no meu peito? Um pedido destes talvez o repusesse. Talvez não, de certeza que sim! E no entanto, continuo a carregar esta palavra. Curioso, não é?
Isto tem um pouco que ver com os arrependimentos.
Lembram-se do buraco no meu peito? Um pedido destes talvez o repusesse. Talvez não, de certeza que sim! E no entanto, continuo a carregar esta palavra. Curioso, não é?
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