Era um daqueles dias. Noites. Pré-manhãs? Madrugada, é exatamente isso.
Era uma daquelas madrugadas.
Chegou, atirou a carteira para cima da mesa, as botas para o chão.
Em casa gostava sempre de andar descalça...
Sentou-se finalmente. Respirou fundo. Lembrou-se que o tabaco tinha ficado na carteira e a preguiça já havia superado há muito a traça do cigarro.
Era uma daquelas madrugadas.
Sentada na varanda rendia-se, a pouco e pouco ao ar ameno. Ameno não, quente. Era uma espécie de pequeno verão, no meio do outono.
Rendia-se, assim, ao ar, à noite, à madrugada. Aos sons que a inspiravam. Que a inspiram. Aos cheiros. Aqueles cheiros de noite de verão. Só que não é verão.
Era uma daquelas madrugadas.
E assim, naquele aconchego do verão de outono ela fechou os olhos e deixou-se dormir.
E foi então que dormiu. E que acordou. Foi assim, num rasgo de aconchego e de inspiração, que tudo fez sentido.
Podia fazer sentido. Mas só assim.
Então acordou. E dormiu.
Era uma daquelas madrugadas. E a preguiça já se havia apoderado dela.
Quando o sol voltasse também ela voltaria.
De onde?
Para onde?