segunda-feira, 24 de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Esplanada do costume!

O vento dançava com o cabelo dela. O guarda-chuva, há muito perdido e com duas varetas e meia sobrevivas, jazia distante. Enquanto andava em jeito de corrida inspirou e sentiu. Sentiu a chuva, aquela levezinha. Fria. Doce. Sentiu que já não sentia o rosto. Sentiu a liberdade e a paz daquele momento. Ou daquele sítio. Finalmente tréguas, o Inverno chegou. Ao chegar abrandou... Prolongar aquela sensação tornou-se imperativo. Estava finalmente a sentir-se bem. A sentir-se em si. A sentir-se inteira. Lá estava ela, de volta. E a inspiração com ela, pareceu-me.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

(In)sanidade.

Espreitou. Empoleirou-se tanto quanto podia para conseguir espreitar. Não conseguia. Levantou-se, como se um crime estivesse a cometer, e pé ante pé aproximou-se. Tentou de novo espreitar, já em bico de pés. Louca, pensou. Afastou-se. Mas tinha mesmo de espreitar. Voltou a aproximar-se e viu que a porta estava aberta. O coração gritava, como um louco. Louca. A vontade é assim. Aquedou-se e espreitou de novo. Deu por si já lá dentro e, então, fechou os olhos. Já não queria espreitar. Ou queria? Louca. A loucura é assim. Só se vê de olhos bem fechados. Sem espreitar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Esta noite. Se quiser.

Era um daqueles dias. Noites. Pré-manhãs? Madrugada, é exatamente isso.
Era uma daquelas madrugadas.
Chegou, atirou a carteira para cima da mesa, as botas para o chão. Em casa gostava sempre de andar descalça... Sentou-se finalmente. Respirou fundo. Lembrou-se que o tabaco tinha ficado na carteira e a preguiça já havia superado há muito a traça do cigarro.
Era uma daquelas madrugadas. Sentada na varanda rendia-se, a pouco e pouco ao ar ameno. Ameno não, quente. Era uma espécie de pequeno verão, no meio do outono.
Rendia-se, assim, ao ar, à noite, à madrugada. Aos sons que a inspiravam. Que a inspiram. Aos cheiros. Aqueles cheiros de noite de verão. Só que não é verão.
Era uma daquelas madrugadas.
E assim, naquele aconchego do verão de outono ela fechou os olhos e deixou-se dormir. E foi então que dormiu. E que acordou. Foi assim, num rasgo de aconchego  e de inspiração, que tudo fez sentido. Podia fazer sentido. Mas só assim.
Então acordou. E dormiu.
Era uma daquelas madrugadas. E a preguiça já se havia apoderado dela.
Quando o sol voltasse também ela voltaria.

De onde? Para onde?

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Há quem saiba (eu não).

Quando tudo e nada já foi dito, e ficou por dizer. Quando tudo e nada já foi visto, e ficou por ver. Quando tudo não é nada, e quando nada é tudo. Quem? Quando? A Leonor, talvez.

sábado, 12 de julho de 2014

Omnia tempus habent .

Ele disse anda. E ela foi. Pensou que foi.
Não foi. Não podia ter ido.
Se fosse ia esquecer-se do caminho de volta.
E depois, como voltava?

terça-feira, 10 de junho de 2014

O tempo e as suas intermitências.


Num qualquer lugar comum o tempo é assim, esquisito, sei lá! Para, de vez em quando.
Por aqui podia parar de vez quando. 
A Leonor disse-me que para. 
E se parasse aqui? 
Não para mim. Para mim também para. De vez em quando. 
Gostava que parasse para ti.
Gostava que parasses e visses, como ele não para.
Vejo que ele não para e tu não vês.
Não me vês e eu não paro.
E sou só eu.
Depois parei. E tu não viste.