quarta-feira, 12 de novembro de 2014

(In)sanidade.

Espreitou. Empoleirou-se tanto quanto podia para conseguir espreitar. Não conseguia. Levantou-se, como se um crime estivesse a cometer, e pé ante pé aproximou-se. Tentou de novo espreitar, já em bico de pés. Louca, pensou. Afastou-se. Mas tinha mesmo de espreitar. Voltou a aproximar-se e viu que a porta estava aberta. O coração gritava, como um louco. Louca. A vontade é assim. Aquedou-se e espreitou de novo. Deu por si já lá dentro e, então, fechou os olhos. Já não queria espreitar. Ou queria? Louca. A loucura é assim. Só se vê de olhos bem fechados. Sem espreitar.

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