sábado, 29 de maio de 2010

5h da manhã.



Acordou. A leve aragem que corria entrava pela porta da varanda, entreaberta. Sem se mexer ainda, olhou em volta, procurando a luz fluorescente do relógio despertador. O da mesinha de cabeceira. 5h da manhã? Pensou coçando o nariz. Espreguiçou e apoiou-se nos braços. Não estava frio nenhum. Não só não estava frio, como a leve aragem que corria a deixava confortável. A luz da manhã que começava, docemente, a tomar o lugar da noite negra, entrava pela varanda, dançando por cada canto do quarto. Parecendo um filme a preto e branco, talvez.
Olhou para o outro lado da cama, pousando a mão morena no lençol branco. Estava já fresco, o lençol amarfanhado.
Olhou de novo pela porta da varanda.
Passou a mão pelo cabelo e levantou-se, aproximando-se.
Cheirava bem, o ar ameno.
Saiu, pisando o chão com o pé descalço.
Ele estava sentado numa das cadeiras de baloiço, a fumar um cigarro e olhava o céu, pensativo. Não tinha dado por ela.
Enquanto o observava, sentiu calor a percorrer-lhe o corpo todo.
Acordei-te?, disse ele, olhando para trás, para ela. Fez que não com a cabeça e dirigiu-se a ele, sentando-se ao seu lado. Olhavam-se. Mais, viam-se.
Pegou ela num cigarro também, acendendo-o, satisfeita.
Sem falar, travavam em diálogo mudo. Daqueles onde se diz tudo sem se dizer nada.
E ela sabia que ia ser sempre assim.

2 comentários:

  1. Mais uma vez , deixas-me arrepiada e desejosa por mais um texto . É tudo profundo e consigo , muitas das vezes , por breves momentos , sentir cada palavra q escreves , como se estivesse a passar por isso . E , o fundamental é q eles se vejam e não q se olhem porque quem olha julga e quem vê conhece ! Fã nº1 <3

    ResponderEliminar