Hoje foi bem estranho. Foi um daqueles dias em que todo e qualquer imprevisto parece planeado. Foi estranho, pronto! Senti o cérebro como o meu portátil ao ligar: a demorar horas a processar a simples informação de abrir a página da Internet.
Foi rápido, foi simples. Foi como um veneno injectado, só quando me tentei mexer é que senti os músculos paralisados. E depois aquela sensação amarga, áspera. E depois passou.
Há bocado fui para a varanda. Deixei a porta semi-aberta, para poder ouvir Explosions In The Sky, que deixei a dar no portátil (estava na The Moon Is Down, linda!). Sentei-me na cadeira de palha que lá tenho, acendi o cigarro e recostei-me, como que afogando-me na cadeira e no ar da noite, com aquele trago de fumo e de "explosions".
A sensação amarga avassalou-me, senti uma vontade de me mexer imediatamente, tirar aquela incómoda sensação de mim e no entanto o corpo estava demasiado pesado para isso, demasiado teimoso. Completamente derrotado e rendido. Não dei luta sequer, limitei-me a continuar tal como estava, levando mecanicamente o cigarro à boca, a deixar-me invadir pela música e pelas memórias de ti.
Era essa a estranha sensação. Era saudade, era nostalgia, era melancolia. Era a minha prudente impotência perante ti.
Hoje senti, especialmente, falta das tuas histórias e planos, do teu riso, do teu abrigo.
Apaguei o cigarro e entrei. Deixei-me ficar no escuro.
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