domingo, 6 de setembro de 2009

São coisas.

Não consigo. Não sei porquê, mas deixei de conseguir.
Houve uma altura que decidi saltar de pára-quedas. Comecei e nunca mais consegui parar. Era a melhor sensação do mundo esticar o pé e puf, nada, a não ser uma grande queda. Lançar-me de cabeça, de braços abertos, às cambalhotas... A partir do momento em que largava os pés e me lançava era sempre uma nova queda, um novo rodízio de sensações e paixões, até que o chão se aproximava e era altura de abrir o pára-quedas. As sensações ficavam suspensas, enquanto eu caía, suavemente, para pôr de novo os pés no chão.
Ficava sempre um bocado lá com os pés. Nalguns sítios mais tempo do que nos outros, a saborear o salto e a queda, (quase) sempre melhor que o anterior. Sim, ficava por lá um bocado. Mas não havia problema, ás vezes é preciso deixar os pés um bocado no chão, só um bocado, até porque no dia a seguir já lá estava em cima outra vez, pronta para saltar.
Não havia problema. Lá está, havia.
Não estou a conseguir saltar. Estou a dar em maluca aqui parada, a segurar com força as alças do pára-quedas, sem conseguir pôr o pé em falso.
Estive demasiado tempo ali em baixo, com os pés assentes naquele sítio. E se agora o meu pára-quedas falhar? E se o meu pára-quedas não me fizer abrandar e ficar estatelada no chão, para sempre?
Não consigo, hoje não consigo. Hoje vou aterrar aqui, onde estava, logo se vê quando volto a saltar.

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