Já faltava pouco para chegar lá. Apressava-se. Sentia o cheiro a pipocas e algodão doce no ar e, abafada ainda, a música fazia-se ouvir. Daquela que só se ouve nas feiras dos contos de fadas.
Só mais um bocadinho. Quanto mais se aproximava, mais depressa corria. Sentia o coração aos pulos, respiração ofegante, todo o corpo em máxima excitação.
Até que começou a abrandar, hesitou, parou. O vento que antes se fazia sentir parou também, tal como todo e qualquer tipo de som que preenchia o mundo. Só se ouvia a ela. E, calma, será? A música recomeçou, ao de leve! A música continua a chamá-la! Leonor retoma a corrida pela porta mágica que se avizinha.
Já faltava pouco para chegar lá, e o melhor de tudo? É que nada disto precisa de fazer sentido.
terça-feira, 21 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Consciência ou inconsciência?
Leonor saiu, sem sequer olhar para o negrume que se avizinhava. O vento forte fazia com que o seu cabelo esvoaçasse por todos os lados. Estava húmido o ar, iria chover a qualquer momento. Apertou o casaco até ao pescoço, não pôs o capacete que estava pousado, mesmo a seguir à sua mota, novinha em folha, vermelho escarlate.
Arrancou a toda a velocidade, naquela rua que se perdia no fundo escuro do céu. Sentiu o corpo invadido por uma adrenalina de arrepiar. A sensação de estar a fazer algo completamente imprudente foi a melhor forma que arranjara para não pensar na ferida que ardia no seu peito. As decisões foram tomadas. E o caminho também.
O rosto estava húmido, talvez tivesse começado a chover, talvez Leonor chorasse.
Sabia que devia abrandar, mas era impossível. Nenhum músculo parecia querer obedecer às exigências do cérebro. Ou urgências. Ao invés, acelerava mais. Desejava nunca parar, continuar até deixar a alma para trás. Como que se o temporal e a velocidade a que avançava o pudessem fazer.
E se não acontecesse, talvez tivesse a sorte de ser atingida por um raio.
De repente já não sentia o vento, nem a chuva. Sentia-se ainda a voar, leve, talvez vazia.
Tentou concentrar-se no feroz grito do vento que devia ferir-lhe os tímpanos, e no entanto, já nada se ouvia.
Leonor desejou não acordar.
Arrancou a toda a velocidade, naquela rua que se perdia no fundo escuro do céu. Sentiu o corpo invadido por uma adrenalina de arrepiar. A sensação de estar a fazer algo completamente imprudente foi a melhor forma que arranjara para não pensar na ferida que ardia no seu peito. As decisões foram tomadas. E o caminho também.
O rosto estava húmido, talvez tivesse começado a chover, talvez Leonor chorasse.
Sabia que devia abrandar, mas era impossível. Nenhum músculo parecia querer obedecer às exigências do cérebro. Ou urgências. Ao invés, acelerava mais. Desejava nunca parar, continuar até deixar a alma para trás. Como que se o temporal e a velocidade a que avançava o pudessem fazer.
E se não acontecesse, talvez tivesse a sorte de ser atingida por um raio.
De repente já não sentia o vento, nem a chuva. Sentia-se ainda a voar, leve, talvez vazia.
Tentou concentrar-se no feroz grito do vento que devia ferir-lhe os tímpanos, e no entanto, já nada se ouvia.
Leonor desejou não acordar.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Catastrophe and the cure
Nós seres humanos temos uma capacidade incrível de sobrevivência. Cada um à sua maneira. Há quem esqueça tudo o que dói de lembrar, e vive, fingindo que aquilo nunca aconteceu de facto. Há quem mantenha isso aceso na memória, e o use como arma para próximos desafios, como um velho pescador que exibe orgulhosamente as suas mãos cicatrizadas, que contam histórias de vitórias fantásticas. Há ainda quem se apoie, em pessoas que o permitem. Estendem-nos a mão e ficamos presos a ela, viciados... De tal forma viciados que se essa pessoa se for, o buraco no nosso peito volta a abrir-se, como um eco, vazio, fundo.
Além do motivo que nos deixou inicialmente a sangrar, ficamos com outro que vai doer tanto ou mais que o primeiro, já que vai cair sobre o anterior, e quando uma ferida que ainda não foi cicatrizada é aberta de novo, a recuperação será mais dolorosa.
É injusta muitas vezes esta terceira opção. Injusta e arriscada.
Estamos a usar uma pessoa, sinceramente, mas não deixamos de o fazer. Por mais que tentemos explicar isso a essa pessoa, não conseguimos, tememos que ela nos deixe e não estamos em condições de a perder também. Sentimos uma culpa de 10 toneladas e no entanto somos demasiado fracos para nos privarmos da sua presença. Precisamos dela para preencher o buraco no peito e é só, não conseguimos corresponder o seu sentimento.
É justo? Não! Mas o que fazer? Encher o peito de coragem e deixa-la ir, para que ela própria não fique com o seu buraco no peito?
Então e o nosso buraco?
Além do motivo que nos deixou inicialmente a sangrar, ficamos com outro que vai doer tanto ou mais que o primeiro, já que vai cair sobre o anterior, e quando uma ferida que ainda não foi cicatrizada é aberta de novo, a recuperação será mais dolorosa.
É injusta muitas vezes esta terceira opção. Injusta e arriscada.
Estamos a usar uma pessoa, sinceramente, mas não deixamos de o fazer. Por mais que tentemos explicar isso a essa pessoa, não conseguimos, tememos que ela nos deixe e não estamos em condições de a perder também. Sentimos uma culpa de 10 toneladas e no entanto somos demasiado fracos para nos privarmos da sua presença. Precisamos dela para preencher o buraco no peito e é só, não conseguimos corresponder o seu sentimento.
É justo? Não! Mas o que fazer? Encher o peito de coragem e deixa-la ir, para que ela própria não fique com o seu buraco no peito?
Então e o nosso buraco?
terça-feira, 7 de julho de 2009
Era uma vez o João
O mundo pára neste momento. Sentes-te leve, quase pairas, enquanto sorris por dentro. Estranha sensação esta.
Um calor invade-te o corpo, percorrendo-o de uma ponta à outra, e sentes aquele rubor nas faces.
Ele volta a sorrir e desta vez toca-te no rosto.
O mundo pára, outra vez, neste momento.
O que o torna diferente dos outros?
Um calor invade-te o corpo, percorrendo-o de uma ponta à outra, e sentes aquele rubor nas faces.
Ele volta a sorrir e desta vez toca-te no rosto.
O mundo pára, outra vez, neste momento.
O que o torna diferente dos outros?
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Ilusão
São violinos no telhado, como dizia o outro. Fascinam-te com aquela doce melodia de fechar os olhos e mergulhar por completo em toda ela. Dás por ti sentado no relvado húmido com o orvalho da madrugada que vai chegando, aos poucos. A música percorre todo o teu corpo e respiras fundo, querendo abraçar cada som. Agora deitas-te, mãos cruzadas atrás da nuca e abres os olhos, enquanto contemplas o esplêndido céu infinito. São violinos mágicos, de certo.
Não param, nem tu desejas que parem jamais. Até a aurora chegar, aquele momento deve ser vivido, absorvido, decorado, amado. O vento embala a música, arrasta-a pela erva onde estás, trespassando-te e deixando-te fora de ti.
Não param, nem tu desejas que parem jamais. Até a aurora chegar, aquele momento deve ser vivido, absorvido, decorado, amado. O vento embala a música, arrasta-a pela erva onde estás, trespassando-te e deixando-te fora de ti.
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