domingo, 29 de outubro de 2023

Não preciso de uma máquina do tempo.

Não preciso de uma máquina do tempo.
Mas
e se a tivesse?
Usaria o tempo como o usei? 
Querer fazer tudo, querer ser tudo.
Deixar tudo a meio.
Sonhar, acreditar e mentir que sou, que vou, que faço?
Na verdade, ser quase tudo, 
fazer quase tudo mas nunca conseguir, de facto, ser nada? 
Não levar nada até ao fim, ao fundo. 
A fundo.
Não preciso de uma máquina do tempo.
Preciso do tempo só, o que não queria, talvez faça dele essa máquina do tempo.
Passo a passo, minuto a minuto, sem mentir agora. 
Ver agora quem sou eu realmente. Do que gosto, eu, realmente.
Sem os outros. Sem amarras, sem pressões.
Não ter medo de ser só.
Querer descobrir quem sou só.
Ouvir-me agora, sem o ruído.
Não preciso de uma máquina do tempo.
Preciso somente de ser.
Começar a ser.
Quem será que sou e do que sou capaz?
Talvez não precise de uma máquina do tempo.
Talvez precise apenas disto.
Ser.
Poder ser.
O que realmente for.
Sem medo.
Ser, o que for.
Sem querer ser tudo.
Ser só.
Ser, só.

Sem comentários:

Enviar um comentário