Espreitou. Empoleirou-se tanto quanto podia para conseguir espreitar.
Não conseguia.
Levantou-se, como se um crime estivesse a cometer, e pé ante pé aproximou-se. Tentou de novo espreitar, já em bico de pés. Louca, pensou.
Afastou-se.
Mas tinha mesmo de espreitar.
Voltou a aproximar-se e viu que a porta estava aberta. O coração gritava, como um louco.
Louca. A vontade é assim.
Aquedou-se e espreitou de novo. Deu por si já lá dentro e, então, fechou os olhos.
Já não queria espreitar.
Ou queria? Louca.
A loucura é assim. Só se vê de olhos bem fechados. Sem espreitar.