Creio ser dado como assente e tão, até, inconscientemente incontestável, como tantos outros factos quotidianos.
Facto, isso.
O silêncio.
O efeito do silêncio como, comparando, o efeito de adaptação dos nossos sentidos, quando, na insuficiência do que os caracteriza e faz funcionar -há quem diga- normalmente, estes, se adaptam.
Vejamos, na escuridão.
Na escuridão.
Naquele estado ou sítio ou o que quer que seja, o que nos deixa na escuridão, digo.
Lá, onde ficamos privados desse sentido, a visão, está escuro.
No escuro, lá, à partida, não vemos.
(certo?)
Estamos lá, então.
Sem ver. Na escuridão.
Porém e se ficarmos por lá mais um pouco, começamos de alguma forma a ver. O olhos adaptam-se. A visão, eventual e gradualmente, adapta-se. E, aqui ou a partir daqui, começa esse processo. Adaptação. O ver sem o que é o "ver" como que em jeito de compensação dos que nos restam. E nisto, tudo vai acabando por funcionar incrivelmente, diga-se. Digo - e porque acho fascinante estas pequenas coisas do ser e estar vivo, da capacidade do ser em funcionar e sobreviver. Exceder-se. Transcender-se. -
Porque nesse entretanto, vemos.
"Vemos" no escuro.
É sobre esse entretanto, de se ver no escuro, de se ouvir o silêncio, digo!
Dizia?
O que comecei por tentar dizer nesta, poderemos (chamemos-lhe) chamar introspeção? - é(?) este, o incrível que é, nosso sentido de adaptação.
É sobre isto?
Não sei,
que digo.
(Que digo mesmo??)
Silêncio(?)
.
Não era isto.
Mas não será agora.
Não (sei que) digo.
Direi, noutra conversa.
Escuta.
(silêncio)
-Parte 1/2.-