segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Anestesia mas não geral.

 

Passa o tempo. Passo-o.

Passa-nos o tempo.

Passa.

Vai (ou vem?).

Passa.

Volta e meia bate aquele choque de realidade. Frio, para acordar.

Bate que ele passa.

Volta e meia, graças a Deus, 

o resto do tempo passa. Vai passando sem se notar. Sem se pensar. Passa, só. 

Vai passando. 

Prefiro assim. Sei que ele não para, passa. Só prefiro não pensar que ele passa.

Melhor, só prefiro não ter de pensar que ele passa.

Viver, enquanto passa, fingindo a terra do nunca, onde não passa.

(se finge que não passa)

(não dói aquando passa)

Deixar, no entanto que volta e meia bata.

Porque o tempo passa.

Não é assim que se passa?



segunda-feira, 5 de maio de 2025

Faço figas.

Faço-as. 

Aperto os dedos e penso nisso com força. 

Faço figas.

Faço-as mas

nem queria isto.

Faço as figas e nem sequer pensei que o queria.

Não queria. 

Faço figas pelo que disse a mim mesma que não queria.

Agora, faço figas.

Faço-as.

Faço figas porque quero tanto.

Faço figas.

Queria tanto.

Pois,

então, 

faço figas.


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Singular, plural.

Houvesse forma de o prever. Já o disse.
Disse o quê?
Não disse, o assunto (hoje) não é esse.
Contudo já o tenho vindo a dizer. 
Este. Isto.
Tenho-o vindo a dizer. Tenho-me vindo a dizer.
Diz-me, também te o dizes? (isto respeita a ortografia?)
E desde quando me importo eu com as limitações automatizadas da língua portuguesa na sua forma básica?
Não importo. Nem tão pouco me importei agora.
Importa-me isto.
Importas-me tu.
Teremos mesmo pernas para, além do resto, andar?
Vamos andando.
O resto não importa.

domingo, 6 de abril de 2025

(Parte 2/2)

(não se faz silêncio)

Faz-se o silêncio.

Passemos a ter parte 1/2/2 que hoje o silêncio não o fez.

Quando acabar ou quando se fizer, talvez o terminemos.

Quiçá...

Só acaba no fim.


(silêncio)

-parte 1/2/?-

sábado, 22 de março de 2025

Bicatapolaridades, talvez.

Houvesse e havia, na verdade, quem lhe dissesse.

Ela sabia, oh! Sabia, não me fodas.

Tu sabias, Leonor. Sempre soubeste.

Se houvesse quem o pudesse dizer, eras tu.

Era eu.

Sou eu.

Somos a mesma.

Não somos iguais, mas somos a mesma.

Às vezes não somos nenhuma. Às vezes somos todas.

Olha, que barbaridade.

Será a tal insanidade?



sábado, 8 de março de 2025

Silêncio.

Creio ser dado como assente e tão, até, inconscientemente incontestável, como tantos outros factos quotidianos.
Facto, isso. 
O silêncio.
O efeito do silêncio como, comparando, o efeito de adaptação dos nossos sentidos, quando, na insuficiência do que os caracteriza e faz funcionar -há quem diga- normalmente, estes, se adaptam.
Vejamos, na escuridão. 

Na escuridão.
Naquele estado ou sítio ou o que quer que seja, o que nos deixa na escuridão, digo.
Lá, onde ficamos privados desse sentido, a visão, está escuro.
No escuro, lá, à partida, não vemos.
(certo?)
Estamos lá, então.
Sem ver. Na escuridão.
Porém e se ficarmos por lá mais um pouco, começamos de alguma forma a ver. O olhos adaptam-se. A visão, eventual e gradualmente, adapta-se. E, aqui ou a partir daqui, começa esse processo. Adaptação. O ver sem o que é o "ver" como que em jeito de compensação dos que nos restam. E nisto, tudo vai acabando por funcionar incrivelmente, diga-se. Digo - e porque acho fascinante estas pequenas coisas do ser e estar vivo, da capacidade do ser em funcionar e sobreviver. Exceder-se. Transcender-se. -

Porque nesse entretanto, vemos.
"Vemos" no escuro. 
É sobre esse entretanto, de se ver no escuro, de se ouvir o silêncio, digo!
Dizia?

O que comecei por tentar dizer nesta, poderemos (chamemos-lhe) chamar introspeção? - é(?) este, o incrível que é, nosso sentido de adaptação.
É sobre isto?
Não sei, 
que digo.
(Que digo mesmo??)

Silêncio(?)
.

Não era isto.
Mas não será agora.
Não (sei que) digo.
Direi, noutra conversa. 


Escuta.

(silêncio)


-Parte 1/2.-

sexta-feira, 8 de março de 2024

Musa.

Tenho andado meia perdida da Leonor.

Eu dela ou ela de mim, nem sei.

Pode isto, à primeira vista, parecer um caso de fácil resolução (com solução).

Tem, no entanto, mais além da vista.

Disse-me que procurasse na toca do coelho.

A toca do coelho?

A toca do coelho, não a encontro no GPS.

Não.

Ela está além da vista. Além mar. Além terra.

Como quem diz, além do visível aos olhos, além do visível por mentes pequenas.

Abre os olhos, já cá está(s).

Leonor?