quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Esta noite. Se quiser.

Era um daqueles dias. Noites. Pré-manhãs? Madrugada, é exatamente isso.
Era uma daquelas madrugadas.
Chegou, atirou a carteira para cima da mesa, as botas para o chão. Em casa gostava sempre de andar descalça... Sentou-se finalmente. Respirou fundo. Lembrou-se que o tabaco tinha ficado na carteira e a preguiça já havia superado há muito a traça do cigarro.
Era uma daquelas madrugadas. Sentada na varanda rendia-se, a pouco e pouco ao ar ameno. Ameno não, quente. Era uma espécie de pequeno verão, no meio do outono.
Rendia-se, assim, ao ar, à noite, à madrugada. Aos sons que a inspiravam. Que a inspiram. Aos cheiros. Aqueles cheiros de noite de verão. Só que não é verão.
Era uma daquelas madrugadas.
E assim, naquele aconchego do verão de outono ela fechou os olhos e deixou-se dormir. E foi então que dormiu. E que acordou. Foi assim, num rasgo de aconchego  e de inspiração, que tudo fez sentido. Podia fazer sentido. Mas só assim.
Então acordou. E dormiu.
Era uma daquelas madrugadas. E a preguiça já se havia apoderado dela.
Quando o sol voltasse também ela voltaria.

De onde? Para onde?

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Há quem saiba (eu não).

Quando tudo e nada já foi dito, e ficou por dizer. Quando tudo e nada já foi visto, e ficou por ver. Quando tudo não é nada, e quando nada é tudo. Quem? Quando? A Leonor, talvez.